Bem, eu já mencionei que trabalho aqui na Celesc, mas creio que nunca disse exatamente o que eu faço. Bem, nem vai ser hoje, porque eu acabo fazendo um monte de coisas, hehehe XD.
Uma das tarefas a qual fui designado, foi acompanhar a implantação do novo sistema de suprimentos. Este sistema, chamado Alphalinc, foi comprado/licenciado pela Celesc, e é originalmente desenvolvido pela Disclinc, empresa australiana.
Este sistema, originalmente desenvolvido como sendo um gerenciador de cadeia de suprimentos, está sendo atualmente sendo adequado para o uso aqui na Celesc, pois como empresa 'pública', tem uma série de peculiaridades com relação ao resto do mundo. Estas modificações, o pessoal da empresa, da própria Disclinc-br e sua parceira E-biz, chamam de "customizações".
Só para esclarecer, meu papel neste projeto não é exatamente de desenvolvedor, arquiteto, gerente, ou coisa alguma. Na verdade, eu até ajudo alguma coisa como desenvolvedor, mas a minha verdadeira atribuição é "ficar de olho", já que por um bom tempo, ninguém do DPTI (o departamento de informática) sabia o que acontecia.
(Bem, daí dá pra ver que a Celesc não tem cultura de trabalhar em projetos)
Pois bem, como todo projeto, este novo sistema de suprimentos está atrasado. Opinião pessoal (que já expressei para o mundo todo): está muuuuuuito atrasado, e nem de longe termina no prazo (que por acaso, é outubro).
Hoje termina uma demonstração deste novo sistema, para alguns usuários.
IMHO, esta demonstração foi um pouco a frente do tempo, já que para o usuário final, o que importa são as telas funcionando do jeito que ele quer. Como muitos módulos ainda não foram terminados, muita coisa falta. E para o usuário, não importa muito se a tela está 75% da sua funcionalidade original pronta: ele vai se focar nos 25% que faltam.
Juntando isso com algumas falhas na especificação, polêmicas entre e com usuários, o que sai? Uma demonstração (demo) que deixa usuários frustrados, desenvolvedores tensos e gerentes estressados.
OK, pra ser justo, não foi (ou está sendo, pois escrevo este post durante a apresentação) um pandemônio. E a frustração dos usuários também não foi tão grande (feliz ou infelizmente, com o passar do tempo, as expectativas dos usuários aqui foram ficando cada vez menores).
Erros que identifiquei, e que podem ser úteis para algum leitor deste nem tanto humilde blog:
- pressa em mostrar serviço: se você tem diversos módulos, e todos os módulos não estão completos (mesmo que faltem apenas 10 ou 5%), vc não tem NADA completo. Não se apresse, complete o que tem que ser completado, e depois mostre para o usuário.
- tentar entregar vários módulos de uma vez: entregue poucos módulos, mas entregue-os bem feitos. Nem tudo pode ser modularizado de forma a ficar funcional, mas muitas coisas podem ser feitas. Muitos módulos são interdependentes, neste caso, talvez modularizar ainda mais a sua arquitetura seja interessante. Em vez de um módulo monstruoso, refatore. As vezes não dá, mas isso não é regra.
- espera para entregar algo palpável para o usuário: entregue aos poucos, mas sempre - seja ágil, adote uma metodologia de entregas frequentes, mesmo que estes módulos sejam pequenos (mas devem ser funcionais). Isso é uma mão na roda na hora de identificar erros de especificação (pq o usuário vai chiar), um dos erros mais custosos no desenvolvimento.
Vamos às conclusões e considerações finais.
Listei acima alguns erros do projeto. Veja bem, eles NÃO SÃO OS ÚNICOS PROBLEMAS!! Mas são problemas que nós (da área de informática como um todo), poderíamos ter trabalhado. Muitos outros problemas, que não irei comentar aqui (porque este post iria ficar MUUUUITO maior do que já está), estão fora do nosso alcance.
Este projeto vai vingar? Não sei, e ainda não desenvolvi poderes pra saber o futuro (apesar de eu ser japonês rechonchudo, não tenho nem katana nem dobro o espaço-tempo - se não entendeu, assista Heroes).
Talvez daqui a uns seis meses, eu faça outro post relatando um caso de sucesso. Ou não...
quarta-feira, 27 de junho de 2007
A demo é do "demo"
Postado por
Andarilho
às
10:41
Marcadores: alphalinc, celesc, suprimentos
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2 comentários:
Andarilho,
Estou interessado nesse sistema da disclinc, após seu relato fiquei um pouco receoso, se você pudesse me passar mais informações sobre quais problemas ocorridos e se foram solucionados, seria ótimo para mim. Hoje, mais de um ano após, o sistema encontra em funcionamento?
Sim, se encontra em produção, apesar de ter atrasado muito pra entrar. Se não me engano, entrou em produção em agosto deste ano. Sim, um projeto que era pra ser entregue no começo de 2007 foi entregue em agosto de 2008.
O principal problema que eu vejo, é que a Celesc é uma empresa de economia mista, portanto, tem que seguir algumas leis específicas para comprar ou contratar qualquer coisa. E esse conhecimento, bem como esses módulos, simplesmente NÃO EXISTIAM. Tiveram que desenvolver do zero.
Outro ponto a se considerar foi o grau de customização/adaptação do programa à Celesc. Não que isso seja ruim, mas não houve (ou houve pouca) melhoria de processos. Ou seja, os processos antigos, viciados, continuaram todos. O que implicou em um aumento de complexidade do software, que ajudou pro atraso do projeto em geral.
No geral, é isso. Se quiser algum detalhe mais específico, me avise.
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